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     o blog:  L.M. Café   

O Blog LM Café será a porta de entrada para todo um acervo documental.

Directamente dos bastidores de um dos governos envolvidos, o da República da África do Sul, vem a série de minutas diplomáticas do ministério dos negócios estrangeiros desse país.

 

Desde as reuniões secretas com Jacinto Veloso, em Paris, ao encontro de Roelof 'Pik' Botha com Samora Machel, há todo um manancial de informação consubstanciando as matérias tratadas ao mais alto nível e que ditariam as grandes linhas de força que vieram a ser aplicadas na África Austral nas décadas de '80 e '90.

 

 

As discussões sobre a independência da Namíbia, o conflito no sul de Angola envolvendo as tropas cubanas, o engajamento construtivo dos EUA nos anos da 'doutrina Reagan' a cargo de Chester Crocker e Frank Wizner, os apoios à UNITA de Savimbi, são aqui devidamente retratados.

DOSSIER CAMARATE

A CONFISSÃO COMPLETA DE FERNANDO FARINHA SIMÕES

1. Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate

No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sigilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.

2. Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por

3. Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado. Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.

4. Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. Estavamos ainda relativamente próximos dos aconntecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.

5. Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) – Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha in?ltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.

6. Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras” infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan – Eiche. (...)

 

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 Nome de código: 'Rumba'

Casadei pode ser a chave sobre a morte de Samora Machel

(...) So we have a motive and a contaminated investigation. But let’s go one step further and look for a suspect, a modus operandi and a smoking gun. For that we travel to Italy to meet 'Rumba' - Umberto Fusaroli Casadei.

If you saw Casadei walking down the street, you would hardly give him a second glance. He looks like every other kindly old Italian man you find in the villages of Italy, who adores his grandchildren and passes the days hanging out at the local espresso bars or cheering for his favourite soccer team. But behind this apparent ordinariness is a remarkable story. He has rubbed shoulders with some of Africa’s greatest leaders and survived more than one assassination attempt.

* * *

Casadei was just 16 years old when he was forced to watch his father and two uncles being publicly executed by Franco Mussolini’s fascists during World War II in northern Italy. This scarred him for life, and he vowed then to fight oppression in every corner of the globe.

It was this that led him to Samora Machel, whom he fought with against the Portuguese colonialists. After independence he became one of Machel’s most trusted lieutenants, operating in the dangerous world of counter- espionage. Casadei was a double agent, pretending to work for South African military intelligence (MI) while secretly passing crucial information directly to Machel. He was paid R600 a month by South Africa for his false MI reports, money that ironically went straight into Mozambican government coffers.

One of his regular contacts was a female MI agent whom he has identified but asked that we call simply “Maureen”. It was during a routine meeting with Maureen that Casadei stumbled on the information that South African and Mozambican agents were plotting to kill Machel.

He described how “she asked me if the South Africans could trust the Mozambicans. Because they had asked the South Africans: if they assisted in killing Samora, what would the South Africans do to help those who’d assisted in the murder to take over power in Maputo?”

 

Now that he knew the identities of the Mozambican officials planning on betraying their leader, Casadei went straight to Machel and begged him to let him kill the two generals. “Samora now knew who was plotting against him, but he refused [to let] me kill them, he did not give me the permit to kill them. And so he gave them time to kill him. This was the big problem,” said Casadei, shaking his head regretfully.

It was not long after this that the crash occurred.

Devastated by the loss of one of his dearest friends, Casadei dedicated himself to investigating the cause of the crash. By 1994 he had collected enough information to go public with his story, speaking out in Mozambican radio interviews and newspaper articles. He linked top Mozambican and South African government officials to the conspiracy to kill Machel and provided critical technical information.

 

He paid a heavy price for his courage. Assassins opened fire on him on two occasions. The first time, convinced they’d killed him as he sat at the wheel of his Landrover, they taunted him by saying the bullets were a message from the Mozamibican generals he’d named as accomplices in the president’s murder. But he survived, driving himself, badly wounded, to hospital.

Several months later another round of bullets was emptied into Casadei’s body and again miraculously he survived. But by now things had become too dangerous, and this time he was forced to flee Mozambique and return to the town of his birth in Northern Italy.

 

Casadei’s story is reinforced by a foreign intelligence document from a neighbouring country in the possession of Radio 702. The document names the Malawian, Mozambican and South African agents who conspired in the plot to kill Machel. The Mozambicans named in the report are the very same ones who sent assassins to kill Casadei.

The document states that South Africa was charged with the responsibility of overseeing the technical aspects of the crash. Senior South African generals and a Cabinet minister are named in the report.

South African military intelligence was given the task of recruiting an airport official from Mozambique. According to the report, the airport official was paid a total of R1,5- million to assist the South Africans by switching off either the Maputo radar system or the beacon.

The report states that this person “travelled to Zimbabwe to close the deal with his foreign counterparts with the help of a Mozambican official who got him a medical certificate to justify his absence. Payments were made in two parts ... After the deal the Malawians and the South Africans started to monitor the control tower and the communications in it.”

The airport official would later ensure that the Maputo beacon and radar system was/were switched off, making it easier to operate a decoy beacon transmitting a signal on the same wavelength as the Maputo beacon.

Radio 702 is in possession of the dates those payments were made and the banking institutions where the money was deposited. However, this could not be double-checked because the banks concerned do not keep records going that far back.

 

'O PODER NÃO SE PARTILHA, EXERCE-SE!  O PODER, TAMBÉM É ISSO, SOLIDÃO!' - Samora Machel

O PODER CORROMPE. O PODER ABSOLUTO, CORROMPE ABSOLUTAMENTE - os seus 'herdeiros' políticos trataram de aplicar o axioma depois da solidão a que se remeteu Machel.